O corredor da clínica estava silencioso quando o relógio marcou quase oito da noite. O cheiro de eucalipto e a luz suave dos abajures criavam um ambiente calmo demais para a hora. A maioria dos profissionais já tinha ido embora, as portas estavam fechadas, e o único som que quebrava o silêncio era o leve arrastar dos passos de Laura enquanto organizava a última sala.
Laura — 29 anos, morena, postura firme, cabelos presos em um coque baixo — estava exausta, mas ainda mantinha a mesma elegância que exibia desde cedo. A fisioterapeuta sempre gostou daquele período do dia, quando a clínica ficava vazia e ela finalmente podia respirar.
Foi então que a porta de vidro automática se abriu com um bip suave.
Rafael entrou.
Alto, 33 anos, barba bem aparada, terno escuro já levemente amassado pelo dia corrido. Um empresário conhecido por ser educado, centrado… e por ter um olhar que parecia enxergar mais do que dizia.
Ela já o atendia há algumas semanas. E desde a primeira sessão, havia algo — uma tensão discreta, uma curiosidade silenciosa, um certo jogo de controle que surgia sempre que os olhares se cruzavam.
— Achei que não viesse hoje — disse Laura, com um sorriso sutil, enquanto apoiava uma das mãos no quadril.
— Dia complicado — respondeu Rafael, tirando o blazer e o colocando sobre a cadeira. — Mas… — ele a olhou nos olhos, firme, seguro — não perderia a última sessão.
A forma como disse aquilo fez um arrepio leve subir pela coluna dela.
E ambos sabiam.
A tensão estava ali.
A sala estava organizada, a luz suave, e o silêncio parecia carregar um significado diferente agora.
— Pode deitar de bruços — orientou Laura, mantendo o profissionalismo no tom, embora sentisse o coração bater um pouco mais rápido.
Rafael tirou a camisa, revelando o abdômen definido, as costas largas… e uma naturalidade quase perigosa, como se ele estivesse acostumado a ser observado. Ela tentou manter os olhos nos instrumentos, mas falhou por meio segundo.
Ele percebeu.
Deitou-se na maca, relaxado, apoiando os braços ao lado do corpo.
Laura aproximou-se com o óleo de massagem e aqueceu um pouco nas mãos. O toque inicial foi leve, técnico… porém a resposta imediata do corpo dele — um suspiro baixo, profundo, que parecia mais prazer do que alívio — fez o ar da sala mudar.
O silêncio era outro agora.
Mais denso.
Mais carregado.
— Tensão alta aqui — ela comentou, deslizando os dedos pela linha dos ombros dele.
— Sei — respondeu Rafael, com a voz grave. — Mas acho que você sabe lidar com isso melhor do que ninguém.
Ela sorriu, discreta.
As mãos de Laura deslizavam com precisão, mas também com um certo cuidado sensual que ela mesma não conseguiu evitar. A cada toque, sentia Rafael respirar mais fundo, relaxar… e ao mesmo tempo contrair certos músculos como se estivesse contendo algo maior.
— Está tudo bem aí? — ela perguntou, tentando manter o tom neutro.
— Melhor do que eu esperava.
O modo como ele dizia tudo carregava uma intenção.
Um convite.
Uma provocação.
Laura sentiu o corpo responder antes mesmo da mente admitir.
Se aproximou um pouco mais.
O quadril quase encostando na lateral da maca.
As mãos trabalhando firme nas costas dele.
Foi então que Rafael virou lentamente o rosto para o lado, encontrando o olhar dela.
— Posso pedir uma coisa? — ele perguntou, mantendo a voz baixa.
— Pode — ela respondeu, quase sem pensar.
— Massagem mais profunda. Com… mais firmeza.
O tom não era simplesmente um pedido profissional.
Era um desafio.
Ela assentiu, respirou fundo e intensificou os movimentos. A força nos dedos, o óleo aquecido, o contato prolongado… tudo ficava mais íntimo a cada minuto.
Depois de alguns instantes, Rafael apoiou as mãos na maca e se ergueu um pouco, ficando sentado. O olhar dele encontrou o dela de perto — muito perto.
— Acho que preciso trabalhar a cervical também — disse ele, mas o sorriso discreto denunciava a intenção.
Laura nunca ultrapassara a linha com nenhum paciente.
Mas Rafael… não era um paciente comum.
E aquela sala, aquela hora… aquele olhar…
Ela se aproximou por trás dele, ficando tão perto que podia sentir o calor das costas dele contra o seu corpo. Suas mãos alcançaram o pescoço dele, trabalhando com movimentos lentos, precisos.
Ele segurou gentilmente o pulso dela.
— Você tem mãos perigosas, sabia?
— Perigosas como? — ela perguntou, com um sorriso quase inocente.
— Como alguém que sabe exatamente onde tocar.
Ela sentiu o coração disparar.
— Rafael… — tentou dizer algo, mas a voz saiu mais baixa do que pretendia.
Ele se levantou devagar, virando-se de frente para ela. Agora estavam próximos demais para qualquer desculpa profissional.
— Se eu estiver entendendo errado, você pode me dizer agora.
Ela não disse nada.
Porque não havia nada para corrigir.
Rafael aproximou a mão, tocando suavemente o queixo dela, erguendo-o apenas o suficiente para que ela o olhasse nos olhos sem desviar.
— Você quer que eu pare? — ele perguntou.
— Não — respondeu ela, firme.
O sorriso dele foi lento, satisfeito.
Dominante.
E então a boca dele encontrou a dela.
O primeiro beijo foi profundo, quente, carregado da tensão acumulada ao longo de semanas. Laura segurou a camisa dele ainda aberta no peito, puxando-o mais para si. Rafael a segurou pela cintura, guiando o corpo dela para trás até encostarem na maca.
Os beijos se tornaram mais famintos. Ele explorava sua boca com precisão, como alguém que não tinha pressa, mas sabia exatamente onde queria chegar.
Laura desfez o coque rapidamente, deixando os cabelos caírem. Rafael sorriu, passando os dedos por entre as mechas.
— Muito melhor assim — murmurou contra o pescoço dela, antes de beijá-lo devagar.
Ela respirou fundo quando sentiu os lábios dele descendo pela pele sensível, alternando beijos e leves mordidas que a faziam estremecer.
As mãos de Rafael percorriam as costas dela, as curvas, o quadril… firme, decidido, mas sempre atento à resposta do corpo dela.
Ele a deitou devagar na maca, sem romper o contato visual.
— Confia em mim? — ele perguntou.
— Sim.
Rafael inclinou-se sobre ela, beijando-a novamente, enquanto suas mãos deslizavam com maestria pela cintura, subindo pela barra da blusa. A cada toque, Laura sentia a respiração falhar, o corpo responder sem resistência.
A blusa subiu, revelando a pele quente. Ele a beijou no peito, no estômago, no caminho entre os seios, provocando devagar antes de realmente tocar onde ela mais queria.
Ela arqueou o corpo quando sentiu a boca dele finalmente descer, explorando-a com movimentos lentos, intensos… e extremamente precisos.
— Rafael… — ela gemeu baixo, guiando os dedos pelos cabelos dele.
Ele segurou firme suas coxas, aprofundou o movimento, mantendo o controle absoluto do ritmo. Cada toque era calculado, cada pausa, cada pressão — tudo parecia feito para deixá-la à beira do limite.
E quando o corpo dela tremeu sob o toque dele, Rafael ergueu a cabeça, olhando-a com um sorriso satisfeito.
— Quero você assim — murmurou. — Perdendo o controle para mim.
Ele se posicionou entre suas pernas, inclinando-se para beijá-la de novo. Laura sentiu o calor dele, a respiração pesada, o corpo firme pressionando o dela com intenção explícita, clara… impossível de ignorar.
Quando ele finalmente a penetrou, devagar, profundo, o ar escapou dos pulmões dela em um suspiro involuntário.
Rafael segurou seus quadris, mantendo o ritmo firme, intenso… mas sempre guiado pelas reações dela. A cada movimento, Laura se perdia um pouco mais — no toque, no calor, no domínio suave que ele exercia sem brutalidade, sem pressa, apenas com uma precisão quase perigosa.
Os corpos se moviam em sincronia, como se já se conhecessem há muito tempo. As respirações se misturavam, o calor aumentava, os gemidos preenchiam a sala silenciosa da clínica, criando um contraste tão proibido quanto irresistível.
Rafael se inclinou para sussurrar no ouvido dela:
— Olha para mim.
Ela abriu os olhos.
E ele a olhava como se quisesse memorizar cada reação.
O ritmo cresceu.
A tensão subiu.
O controle se perdeu.
E quando os dois alcançaram o clímax juntos, o corpo dele pressionado ao dela, as respirações entrecortadas, Laura sentiu que o mundo inteiro tinha silenciado por alguns segundos.
A sala estava quente, o cheiro de óleo e respiração pesada ainda pairando no ar. Laura permanecia deitada por alguns instantes, tentando se recompor. Rafael estava ao lado dela, ainda sem camisa, respirando fundo enquanto observava o teto.
— Acho que essa sessão… — ela começou, com um sorriso cansado — …não entra no prontuário.
Rafael riu baixo, aproximando-se para beijar suavemente o ombro dela.
— Não. Mas posso marcar outra, se você permitir.
Ela virou o rosto na direção dele.
— Acho que podemos encontrar um outro lugar para continuar esse… tratamento.
Ele sorriu, satisfeito, passando a mão pelos cabelos dela.
— Eu estava esperando você dizer isso.
A clínica voltou ao silêncio de sempre.
Mas entre eles, nada mais era tão silencioso assim.



